Da janela de um ônibus

Uma parada;
Uma mãe com uma criança,
A pequena insistia em mostrar uma flor,
Fora ignorada, coitada,
Malditas ocupações dos adultos.
Outra parada;
Uns meninos de rua,
Uma padaria com bolos maiores que a barriga,
Pães mais quentes que a fome,
Os olhares de indiferença,
Mais dois para a estatística de famintos.
Mais uma parada;
Um cão e um gato dormem na calçada,
O gato se levanta e mexe no rabo do colega,
Que se levanta e cumpre seu papel,
Rolam, rosnam, grunhem,
E saem às pressas rindo rua abaixo.
Na verdade, queria ser o cão ou o gato,
Ser gente está ficando muito difícil.

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