A arte de amar – parte 1

Há algumas semanas atrás eu comecei a ler um livro enquanto esperava um ônibus na rodoviária. O nome do livro já deve chamar a atenção de alguns e provocar o afastamento de outros: “The Art of Loving” (A arte de amar), de Erich Fromm. Diferente da aparente proposta de auto-ajuda que o título parece trazer, o livro na verdade trata do amor na era do consumo. A epígrafe do livro é uma citação de Paracelsus, físico renascentista suíço-alemão que diz:

Aquele que nada sabe, nada ama. Aquele que não pode fazer nada, nada entender. Aquele que não entende nada, é sem valor. Mas aquele que entende, também ama, percebe e vê. […] Quanto mais o conhecimento for inerente a algo, maior o amor. […] Qualquer um que imagina que todas as frutas amadurecem ao mesmo tempo que os morangos, não entende nada sobre uvas.

Em suma, o que Paracelsus diz é que o amor vem pelo conhecer. Aparentemente, os passos são: perceber, conhecer, entender e amar. Outro ponto trazido é a individualidade, ou seja, a necessidade de compreender cada ser humano em sua maneira. O que chama a atenção é a forma como Fromm retoma a questão do “conhecer”, o que se dá na p. 9. É dito que ao notar seu distanciamento em relação ao outro, sem a presença do amor, esse sentimento de estranhamento pela diferença do outro é a fonte da vergonha, da culpa e da ansiedade. Assim, a maior necessidade do ser humano é a de quebrar seu enclausuramento de si mesmo, de superar sua constante vontade de se esconder em seu egoísmo e orgulho, de encontrar uma forma de união e que esta transcenda os limites físicos, mas que encontre solidez num conhecer e compreender que quebre o distanciamento da separação entre os seres.

Muitos anos antes de Fromm, a epístola de João na Bíblia já dizia “Aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 João 4:8). Ora, mais uma vez vemos uma associação entre o conhecer e o amor. No entanto, para João a fonte do verdadeiro amor é Deus e é preciso conhecê-lo para obter esse amor e, ao fazermos isso, amaremos também os outros seres humanos, os quais ele chama de “irmãos” (1 João 4:7; 1 João 2:9). Para conhecer a Deus também precisamos sair de nossa prisão humana para conseguir encontrá-lo. Novamente, a necessidade é de unir; unir-se e permitir-se ser unido. De acordo com o apóstolo Paulo ao longo de sua epístola aos Romanos, o pecado provocou a separação de Deus e do homem e a graça através do sacrifício de Cristo se tornou como uma ponte sobre o abismo do pecado e nos permitiu a aproximação com Deus novamente. Sem aceitar essa graça, nos sentiríamos diferentes demais de Deus e não seria possível conhecê-lo.

Mediante a Bíblia, a união com os irmãos depende primeiramente da união ao criador de todos os seres humanos – Deus. Não sei se você, caro leitor, acredita num Deus dessa forma, mas lhe convido a colocar de lado as diferenças entre mim e ti e navegar nessa hipótese de encontrar em algo transcendental a resposta para algo tão impossível de viver sem, que é a relação com as pessoas.

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