Quando encontrar esse alguém

O que fazer quando se encontra aquela pessoa
Capaz de lhe arrancar um sorriso somente
Por lembrar-se dela e imaginar-se perto?
Quando ao ouvir sua voz os olhos até brilham,
Chegam a doer as bochechas pelo quanto
Se é incapaz de esconder o bem que lhe faz.

Do que chamaremos tal sentimento? Não sei.
Seria injusto querer rotular algo tão belo e meu
E expor a todos que o julguem mediante as
Definições que cercam a nós todos falantes
E nos impedem de viver e sermos livres na
Liberdade do outro diante do nosso afeto.

Ah, mas quando encontrar esse alguém…
Meu caro, que sorte a sua, perceberás.
Notarás que menos importa que corresponda
E mais importa que de alguma forma
Se faça presente na sua vida esse humano
Que em meio a todo caos lhe traz um refúgio.
Digo isso porque já encontrei esse alguém.

Soneto dos Detalhes

São aquelas pequenas coisas
Que de tão pequenas você
Desacredita e acha que são
Mentira, imaginação ou invenção.

Aquelas coisas como olhares
Desencontradamente cruzados,
Notar os esboços dos sorrisos
E suas peculiaridades.

A proximidade dos corpos,
Os risos sincronizados,
As mãos se juntando inesperadas.

Como sentir algo por tão pouco,
Capaz de dar calafrios e trazer
Nova rota para os pensamentos?

Confissão do sentimento indefinido

Confesso que é um sorriso diferente,
Confesso que é um sentimento desengonçado
Esse negócio indefinido que encontramos por aí,
Confesso.

Confesso que é clichê apelar aos tribalistas para descrever,
Confesso que nessa hora acho Camões um exagero,
Confesso que um bom soneto de Vinícius já resolveria
Pra falar dessa coisa que não sei.

Ah, confesso também
Que não é pra resultar em poemas.