Se puder vir à minha casa…

A limpeza não foi das mais profundas,
Sei que há uns cantinhos de poeira,
Umas teias de aranha escondidas no teto,
Talvez uma ou outra mancha na parede que não consegui tirar;
E hoje mesmo derrubei um prato – se estilhaçou todo,
Logo, se não cuidar, pode ser que ache pequenos cacos de vidro que machucam.
Tento manter a organização, mas nada está perfeito;
Não há condição para uma decoração rebuscada,
Nem mesmo muito senso para embelezar com o pouco que se tem.
Perdoa a mediocridade, perdoa a pequenez!
Tem misericórdia deste coração que é tal qual a minha casa.
Contudo, mesmo com Sua grandeza, humildemente eu peço,
Se puder, venha à minha casa hoje.

[1 Reis 8:27]

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Mar da graça

Fui mergulhar no mar da graça,

Ele não me pareceu nem raso nem fundo,

Apenas o que era perfeito para mim.

Inicialmente, eu não o conhecia e pensei ser impossível

Que tal beleza estivesse à disposição de mim.

Senti um movimento me puxar cada vez mais para o fundo,

É porque a graça não permite retrocessos,

Apenas te joga para frente, para o melhor.

Mas se você tentar sair, haverá sempre aqueles resgatadores,

Os anjos implorando que você volte a mergulhar para adiante.

Vi elevações de água de diferentes tamanhos,

Ouvi uma voz me dizer que me jogasse nelas.

Pensei ser arriscado demais, não via o que estava no meio daquelas marolas.

Então descobri que as ondas são bênçãos,

E bênçãos são presentes e presentes só são descobertos quando os abrimos.

Se eu não mergulhasse, jamais passaria por elas.

Depois que as passava, o azul que encontrava era cada vez mais limpo no mar da graça.

Percebi que eu estava afundando,

Cada vez mais precisava bater os pés, as pernas os braços,

Senti-me fraca e até quis boiar.

Mas e se fosse proibido parar ali?

Porém, não, a graça é paciente e também é boa em compreender.

E, assim, quanto mais fé, mais fundo se vai na graça;

Sem pressa, pois, por muito ou pouco, a fé é o que basta.

Enquanto eu boiava, pensava em como faria para continuar nadando nas profundezas desconhecidas.

Olhando para o céu percebi o sorriso de Deus nas nuvens, Eu disse: “estás aí!”

Mas o mar ao meu redor se aqueceu, abóbodas se formaram ao meu redor,

E ouvi do fundo o retumbar da voz dizendo:

“Estou aqui, ali e em todos os lugares; vem e segue-me.”

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(A foto é minha, tirada em janeiro de 2014 em Salvador, BA).

Para um texto sobre a graça, em outra forma, clique aqui.

To You

I wanna find You here tonight…

I wanna find You in the silence of my heart,
In the the intertwinings of my thoughts,
In the daze of my eyes looking at the ceiling,
I wanna find You with my eyes closed fast asleep.

I wanna find You in the shining stars,
In the dark blue nearly black unending sky,
In the fresh and soothing breeze brushing my hair,
I wanna find You sitting by my side unseen.

I wanna find You here tonight,
And in daylight as well when I wake.
I wanna find You in every breath I take.

But right now, I just wanted to find You here tonight.

Morrer pelos companheiros

 

 

A cidade de Pensilvânia estava sitiada por zumbis. O último batalhão sobrevivente do quartel estava pronto para salvar sua cidade do ataque.  O coronel Christian reuniu seu pequeno exército par organizar a defesa.

– Faremos um pacto agora.

Ele pegou um de seus uniformes antigos e começou a cortá-lo em doze pedaços, um para cada soldado restante

– Eu vou para a linha de frente sozinho para morrer, já analisei as estratégias e será melhor assim. Guardem esse pedaço da minha roupa e mantenham a população segura. Sempre que se sentirem fracos, olhem para o pedaço de pano e lembrem-se de que quando tudo isso acabar, eu prometi que virá uma solução maior. Pensem no motivo mais importante para sobreviver e se amem, acima de tudo.

 

Esse texto foi feito durante uma classe de estudos sobre a Bíblia. Contei com a ajuda de duas colegas – a Gladys e a Jeana. Como tivemos apenas 5 minutos para escrever, ficou curtinha assim. Acho que poderia chamá-la de uma “mini-crônica”. Achei que ficou legalzinho, resolvi compartilhar com vocês.

A intenção é que seja uma espécie de paráfrase do texto bíblico descrito em Mateus 26: 17-30.

Eu queria uma imagem não convencional da célebre pintura de Da Vinci, A última ceia, e encontrei essa releitura cubista de Kika Goldstein (http://www.kikagoldstein.com.br/2012/04/santa-ceia/).

Me encontre aqui

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Me encontre aqui,

Sob o céu azul de tão claro,

Entre o vento macio refrescante,

Sobre o vapor quente da areia,

Querendo ser parte de tudo e de nada.

Me encontre aqui,

No silêncio das ondas ricocheteantes,

No som das algas dormentes,

No burburinho dos peixes dançantes,

Na abóbada das águas serpenteantes,

Querendo sentir tudo e nada.

Me encontre aqui,

No eterno infinito do planeta mar,

Procurando o fim da reta sem ponto,

Na descoberta de que se vê o mundo redondo,

Preferindo ficar onde tudo vejo,

Desejando correr para tudo e para o nada.