Morrer pelos companheiros

 

 

A cidade de Pensilvânia estava sitiada por zumbis. O último batalhão sobrevivente do quartel estava pronto para salvar sua cidade do ataque.  O coronel Christian reuniu seu pequeno exército par organizar a defesa.

– Faremos um pacto agora.

Ele pegou um de seus uniformes antigos e começou a cortá-lo em doze pedaços, um para cada soldado restante

– Eu vou para a linha de frente sozinho para morrer, já analisei as estratégias e será melhor assim. Guardem esse pedaço da minha roupa e mantenham a população segura. Sempre que se sentirem fracos, olhem para o pedaço de pano e lembrem-se de que quando tudo isso acabar, eu prometi que virá uma solução maior. Pensem no motivo mais importante para sobreviver e se amem, acima de tudo.

 

Esse texto foi feito durante uma classe de estudos sobre a Bíblia. Contei com a ajuda de duas colegas – a Gladys e a Jeana. Como tivemos apenas 5 minutos para escrever, ficou curtinha assim. Acho que poderia chamá-la de uma “mini-crônica”. Achei que ficou legalzinho, resolvi compartilhar com vocês.

A intenção é que seja uma espécie de paráfrase do texto bíblico descrito em Mateus 26: 17-30.

Eu queria uma imagem não convencional da célebre pintura de Da Vinci, A última ceia, e encontrei essa releitura cubista de Kika Goldstein (http://www.kikagoldstein.com.br/2012/04/santa-ceia/).

Um breve comentário sobre ética

Esse texto foi um relatório de uma matéria de ética na faculdade. Foi feita à partir do texto de Renato Janine Ribeiro “Ser ético, ser herói”, disponível no link http://renatojanine.pro.br/etica/heroi.html .

Talvez a questão da ética na sociedade esteja em um dos momentos mais críticos e crescentes na história. São vários vieses. De um lado, assistimos à descrença da ética na justiça, sendo que talvez fosse o campo de onde mais esperaríamos atitudes corretas – nossos representantes executivos, legislativos e judiciários. Espera-se ética também na justiça social, no lidar cotidianamente com o ser humano, que nem sempre age de formas respeitáveis. Porém, mesmo de nossos reguladores sociais – policiais, seguranças etc – há dúvidas sobre os procedimentos que eles tomarão e sobre sua cumplicidade com o crime (convenhamos que qualquer atitude que infrinja alguma lei ou direito é um crime). Por fim, chegamos a um ponto da sociedade em que o que se espera o pior do ser humano e, portanto, olhamos para o outro com olhos julgadores.

Por outro lado, temos o ponto de vista social, bastante conturbada nas questões humanitárias e de grupos sociais. Por exemplo, como fica a relação da ética com o aborto, a eutanásia, as pesquisas com células tronco e a manipulação genética? O que a ética diz sobre a justiça própria e a auto defesa? E quanto às minorias – aliás, se são tantas pessoas, como podem ser minorias? – quando falamos de homossexuais, existe algum código de ética sobre o comportamento e sobre o matrimônio e a constituição familiar? A aplicação de cotas raciais ou étnicas tem relação com a ética, bem como as cotas sociais, de escolas públicas e classes sociais? Como medimos a ética no trabalho, tanto em detalhes como resolver coisas pessoais em ambiente de trabalho, como em situações mais sérias no tocante a lidar com superiores? E as manifestações, até que ponto as atitudes fazem jus ao propósito? E o que dizer do mundo das propagandas, das mídias e das mensagens e conteúdos de filmes, novelas e séries?

Provavelmente, para nenhuma dessas perguntas haverá respostas definidas, mas serão decorridos debates, discussões, protestos – até atitudes agressivas – que muito possivelmente seriam também passíveis da própria discussão de ética, uma certa metalinguística do assunto. Deixando de lado essas grandes questões e causas – não que não valha a pena lutar por elas, mas, sejamos realistas, muitas delas tem atravessado séculos e continuarão a orbitar no relativismo – podemos navegar pela parte mais próxima de nós, as coisas mais simples da ética, como escreve Renato Janine no referido texto. Hoje em dia, associa-se ética com heroísmo: num mundo onde todos não presta, eu sou herói por ser alguém diferente dos demais; sou uma pessoa decente e correta. Todos querem ser heróis, ninguém quer ser culpado pelo desastre que é a sociedade. Lutemos, pois pela dignidade humana, por sermos heróis para alguém, por não permitirmos que a leis (vide caso do homem que morreu na França porque o último que tocasse nele seria responsável pela sua vida, sendo que bastava um simples remédio) padrões éticos e tradicionalismos nos impeça de sermos pessoas decentes e humanas.

Hoje escolho perder uma perna

Por não ir à cidade com tanta frequência, há tempo que não via mendigos, pobres, pessoas com necessidades especiais. Mas o que mais me chamou a atenção foi que vi duas pessoas cegas. A primeira era uma mulher, que andava com uma muleta e com uma amiga ou a mãe guiando-a. Mas quando vi um homem, que aparentava uns 60 anos, usando apenas uma muleta, totalmente perdido em sua noção espacial, tentando atravessar a rua, foi como se eu sentisse o desespero dele de não ver nada à sua volta – nem mesmo a cor do semáforo.

Me perguntei o que que eu preferiria perder, se tivesse que escolher –  a visão, a fala, a audição, um braço ou uma perna. Se eu não enxergasse, me angustiaria por saber que não veria como eu estava, nem pinturas, imagens, pessoas, tons, mas  esse tivesse nascido cega? Sequer saberia o que é azul, amarelo ou vermelho, e aposto que você não sabe definir o que é azul sem falar “é a cor do céu”, amarelo sem dizer “é a cor do Sol”, ou vermelho dizendo “é a cor do sangue”. Parabéns, eu não teria visto nenhuma dessas coisas para saber do que você estaria falando. Se eu não falasse, não poderia cantar também, sem contar que ficar sem falar é angustiante. Se eu perdesse a audição, não poderia ouvir música, até poderia tocar, mas não saberia como estaria soando. Se eu perdesse o braço ou a mão, não poderia escrever, desenhar, tocar piano ou violino. E se eu perdesse uma perna, não poderia andar. Talvez até conseguisse uma perna mecânica. Seria essa a opção menos pior para mim?

Foi quando me dei conta de que até nisso eu era egoísta. As pessoas que nascem com alguma dessas deficiências ou adquirem-nas com o passar do tempo, não puderam escolher uma opção “menos pior”. Eu, que nasci perfeita, quero ainda me dar a luxo de escolher o sofrimento menos penoso, o defeito que me faria sentir “menos mal,” não por altruísmo ou compaixão dos que já o tem, mas simplesmente para não deixar de fazer o que mais me apraz.

O Jardim

O Jardim

Algumas sementes podem ficar por um longo tempo em estado dormente. Estão lá, plantadas, mas você nem as nota, ou prefere não notar. Alguns amigos até lhe aconselham: “cuida!”,“rega!”.  Você, porém, simplesmente diz: “cuidar do quê?”, “regar o quê?”, “não há nada ali”. Pensamos que tudo é eterno, que sempre estará a nossa disposição, independente do que fizermos por isso.

Porém, como muito tempo se passou, o jardineiro desiste de cuidar do que o dono não lhe permite. Esquecemos que ele não pode ficar sem seu trabalho e não lhe provemos essa oportunidade. Mas ao desistir do seu jardim, ele procura outro para cuidar.

Passa-se o tempo e em outro jardim nasce uma nova flor. Talvez não tão bonita como a que você teria, se tivesse cuidado. Agora, no entanto, a planta até cresceu, torta, seca, doente e sem sentido. Ou sadia, só não a mais bonita já vista.

Outra flor pode até crescer cuidada por outro jardineiro, mas aquela que está seca ficará ali, fixa, semimorta para sempre. O final dela será diferente somente se o jardineiro arrancá-la ou decidir dar intensivo cuidado a ela.

Você pode ser o dono do jardim ou o jardineiro. Independente do que você for, faça o melhor que puder para não fazer brotar uma planta seca à toa. E não se lamente caso seu jardim não esteja tão bonito; a culpa pode ser sua.