Paz com as palavras

Mas que triste o dia,
Aquela hora ingrata,
Em que você procura
Em vão – não encontra –
As palavras corretas,
Mesmo as erradas,
Qualquer sequência
de emoções expostas,
Com ou sem ritmo,
Ou lógica, ou sentido sequer.
Não conseguir por pra fora
Toda essa angústia vocabular,
Essa náusea linguística,
Para tentar viver em
Paz com as palavras.
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(Imagem: blog Crônicas da vida offline)

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Trailer de cinema

A falta que você me faz
Eu queria que fosse dos romances,
Clichês em que tudo dá errado o tempo todo,
E no fim, sem nexo algum, os dois se encontram.
A falta que você me faz,
Queria que fosse das comédias românticas,
Toscamente engraçadas,
Quando o par era a cereja do bolo pra deixar tudo perfeito.
A falta que você me faz
Queria que fosse de romances adolescentes,
Quando de tão idiota é trágico,
Mas no fim tudo se resolve com um beijo.
A falta que você me faz
Queria que estivesse no drama,
Que pelo menos todos chorassem e se compadecessem da dor.
A falta que você me faz
Queria que fosse dos musicais,
Para que cantando eu expressasse tudo que eu sinto.
A falta que você me faz
Queria que fosse só o trailer,
E que eu pudesse logo ver o filme e saber o que vem pela frente.

Todo o drama

Essa dor que sinto vem lá do fundo,
É uma expressão de toda a decepção,
De toda a amargura que ficou ali entalada.
É uma expansão do meu coração quebrado,
Dos bombeamentos tristonhos.
Em um sorriso discreto escondo tudo isso,
E vivo cada dia esperando que
Em chegar ao fim eu encontre aquilo que perdi –
Talvez um grande amor,
Talvez a alegria de viver,
Mas queria mesmo que fosse a dignidade,
Depois de ter mendigado assim tanta atenção.