Quando encontrar esse alguém

O que fazer quando se encontra aquela pessoa
Capaz de lhe arrancar um sorriso somente
Por lembrar-se dela e imaginar-se perto?
Quando ao ouvir sua voz os olhos até brilham,
Chegam a doer as bochechas pelo quanto
Se é incapaz de esconder o bem que lhe faz.

Do que chamaremos tal sentimento? Não sei.
Seria injusto querer rotular algo tão belo e meu
E expor a todos que o julguem mediante as
Definições que cercam a nós todos falantes
E nos impedem de viver e sermos livres na
Liberdade do outro diante do nosso afeto.

Ah, mas quando encontrar esse alguém…
Meu caro, que sorte a sua, perceberás.
Notarás que menos importa que corresponda
E mais importa que de alguma forma
Se faça presente na sua vida esse humano
Que em meio a todo caos lhe traz um refúgio.
Digo isso porque já encontrei esse alguém.

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Pessoas

A grande massa delas lhe carrega no fluxo,

Mascara o vazio andar por entre a gente,
São como figuras que preenchem espaços
Das paisagens conhecidas em que passamos,
Permitindo às rotinas mais valor do que
Os seres que conosco dividem cenário.

Mas quando dentre toda essa multidão
Encontramos uns com quem nos ligamos,
Ah… não aqueles a quem somos obrigados,
Aqueles que quando os olhares cruzaram
Atou-se um nó inexplicável nos corações
E entendemos o que significa comunicação.

Há aqueles que seguem uma sequência
Lógica da amizade enquanto outros nunca
Entendemos qual foi a conversa culpada.
Há aqueles que fazemos força para gostar,
Mas fazem falta, só que menos do que aqueles
Que se possível carregaríamos no bolso.

Há aqueles por quem fazemos força para não
Apaixonar, mesmo sabendo do perigo, o que é
Melhor do que aqueles que nunca saberão.
O que importa é que quanto mais se tenta
Explicar, mais constrangidos ficamos diante da
Incapacidade de dizer o que se sente do outro.

Gente Bege

​Uma classe de pessoas que facilmente se infiltram nas nossas vidas,

Chegam de mansinho e estão discretamente presentes, fazem parte da composição.

Bege combina com tudo, é o que dizem, aí é bom ser uma pessoa bege.

Mas que nada! Que não tem coisa pior do que gente indiferente,

Indiferente tipo bege, que está ali só porque está ali,

Não fede nem cheira, não chove e não molha;

Gente indecifrável, não entendível, que não se expressa

Tanto quanto o bege passa toda a vida presente escondido nas paredes,

Sem se expressar para o mundo.

O abraço 

​Disseram que podiam me conhecer bem pelos meus abraços.

Os sentimentos são transmitidos numa energia tal

Que sai do coração e caminha pelo sangue,

Ficando presos às terminações nervosas da pele,

E quando fechamos os braços ao redor de alguém

– Chamam a isso de abraço –

Os sentimentos escapam como que eletricamente 

Para o campo magnético que é o outro a quem se toca.

Engana-se quem acha que isso é tão facilmente compreensível,

Pois que há vários tipos de abraço para cada coisa e situação.

Há aqueles abraços frios cotidianos que chegam a dar desgosto,

Enquanto há aqueles que são capazes de dizer bem mais que palavras.

Mas o que importa é que se pode talvez mentir nos abraços,

Tentar se engessar para que nada saibam e nada percebam.

Porém mais comumente o erro é o oposto,

Sem querer eu erro o abraço e lhe transmito mais que gostaria,

E o que deveria ser causal e objetivo,

Carrega-se de uma subjetividade e lhe conta o que está lá dentro,

De onde apenas o toque mais espontâneo é capaz de traduzir

O que na mente é encoberto de densas névoas do segredo.

Perder pessoas

Por tão pouco perdemos as pessoas.
A cada dia um pedacinho,
De nós e dos outros
Porque quando negamos alguém,
Negamos o ser, o humano,
Nos perdemos de nós também.

Sumimos da vida de quem não queremos,
Deixamos a vida acontecer somente
Para que tenhamos algo para culpar
Que não seja nós mesmos.

Estamos tão acostumados a perder pessoas,
Já superamos rápido, ou acostumamos com a dor,
E achamos normal viver faltando partes de nós.

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  • fotografia do Blog https://ingaphotography.wordpress.com/2014/01/07/dead-flowers/

Insípido

Me explica como se pode

Sentir falta de alguém que

Já lhe fez tão bem,

Mas lhe arrancou lágrimas

Inexplicáveis

Me explica como se pode

Querer tanto consertar algo

Que todos já teriam deixado

Mas ninguém entende

Importante.

Me explica porque

Em meio a todo o conjunto,

O arranjo que se faz é o mesmo

Ignorando os outros termos

Incontestáveis.

Me explica porque

Faz-se tanta força para esquecer

Mas no esquecer está o lembrar

Mesmo que se passe um turbilhão

Ignorável.

Me faça entender

Que amargo e doce combinam

Porque se assim não fora

Todo amor, dor, cor, ranso e calor

Insípidos

Estariam esvaídos.

O espaço de cada um

O espaço de cada um

Compreende a totalidade,

Delimita território invisível,

Maleável na medida de cada um;

Um único que não é outro,

Não pode jamais ser diferente,

Pois o espaço de um é só dele,

É itinerante por onde couber;

Não importando se há outro

Buscando lugar a substituir,

As similaridades se afastam

E fica o vazio de quem se foi.