Uma poesia sobre o nada

Eu não tenho o que dizer,

Sem ideia alguma de palavras,

Mas preciso muito passar o tempo com algo produtivo.

Maldita Revolução Industrial,

Desde quando só o que se produz é útil?

Porém, o tempo passa e de tempo é feita a vida.

Não, me engano. A vida é simplesmente vida e pode ser do que se quiser.

E como não quero que a vida passe,

Faço questão que o tempo me sirva para ser feliz,

Para ter certeza de que faço valer a pena,

Para mim ou para alguém.

Para outro certamente nem sempre agrada tanto quanto se quer,

Mas fazer o que?!

‘Um dia é da caça, outro do caçador’,

Um dia se faz feliz, em outro se é feito.

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Cinco minutos

Tudo começou com mais dez minutinhos,

Depois só mais cinco,

E o despertador me olhava com ignorância.

Passou a hora do culto burocrático,

Deu tempo de maquiar,

Café da manhã foi bom,

Sentei com a Bia,

Tanto tempo que não conversava com quem dorme no mesmo quadrado que eu.

Mais dez minutos perdidos contando da cicatriz que

Encontrei no meu coração ontem à noite,

Dessas de amores sem flores, lágrimas sem lenço.

Não tinha dinheiro no caixa, corre pro outro.

7:52 e a pressão baixando – não dá pra correr.

Passa um carro, outro, o terceiro dá carona.

Simpatia faz bem ao coração.

10 minutos entre banco e carona que deram estresse, agonia e susto.

Pudera que em tão pouco muito vivi,

Que em cinco minutos conheci alguém,

Deu tempo de saber que seus filhos também tem dois lares,

Assim subentendeu-se uma ligação empática

Por um sentimento comum que só sabe quem passa.

Em cinco minutos se passa muita vida.

Em bem menos que isso se pode perder a vida.

Que seja esse meu manifesto,

Por mais cinco minutos relevantes,

Por mais dez minutos importantes,

Por mais amor repartido,

Por menos corações a sós partidos.

Por mais vida,

Que a morte ninguém sabe.

Da janela de um ônibus

Uma parada;
Uma mãe com uma criança,
A pequena insistia em mostrar uma flor,
Fora ignorada, coitada,
Malditas ocupações dos adultos.
Outra parada;
Uns meninos de rua,
Uma padaria com bolos maiores que a barriga,
Pães mais quentes que a fome,
Os olhares de indiferença,
Mais dois para a estatística de famintos.
Mais uma parada;
Um cão e um gato dormem na calçada,
O gato se levanta e mexe no rabo do colega,
Que se levanta e cumpre seu papel,
Rolam, rosnam, grunhem,
E saem às pressas rindo rua abaixo.
Na verdade, queria ser o cão ou o gato,
Ser gente está ficando muito difícil.